Para pensar(?)

Maio 16, 2008 por mrfrogfrom60s

“A maioria dos homens não quer nadar antes que o possa fazer”. Não é engraçado? Naturalmente, não querem nadar. Nasceram para andar na terra e não para a água. E. Naturalmente, não querem pensar: foram criados para viver e não para pensar! Isto mesmo! E quem pensa, quem faz do pensamento sua principal atividade, pode chegar muito longe com isso, sem dúvida, estará confundindo a terra com a água, e um dia morrerá afogado.

HESSE, Hermann. O Lobo da Estepe. Rio de Janeiro – Brasil, Editora Civilização Brasileira S.A., 13ª edição – 1979. (originalmente, DER STEPPENWOLF – 1951)

Se chorei ou se sorri…

Abril 18, 2008 por mrfrogfrom60s

…o importante é que emoções eu vivi!

Um breve homenagem ao inimitável ROBERTO CARLOS!

Hoje, 19 de abril, o “Rei” completa 67 anos de vida.

Em 2008, Roberto Carlos completa 45 anos de carreira.

Entre a ida do Espírito Santo para o Rio de Janeiro nos anos 50, onde conheceu o rock de verdade, tendo acesso à discos e se relacionando com outros jovens efervescidos pelo ritmo recém descoberto no Brasil e formou sua primeira banda “The Sputnicks” – período o qual, também, conheceu Erasmo Carlos.

Em 65, já reconhecido nacionalmente, iniciou o Programa Jovem Guarda, na TV Record, ao lado de Erasmo e Wanderléa. A visibilidade dada aos jovens que faziam rock na TV brasileira aumentou ainda mais a popularidade de Roberto Carlos, em especial. No entanto, 1966 um desentendimento entre Roberto e Erasmo, por conta de créditos de músicas apresentadas em um especial para o “Tremendão”, causou o rompimento da amizade dos dois artistas que, embora o ocorrido, continuaram a apresentar o programa na Record normalmente.

Já no final dos anos 60, Roberto lançou o disco “O Inimitável”, o qual marcou o início de uma transição na carreira do “Rei”, trazendo influências de black music americana e aos poucos foi inserido romantismo nas suas composições. Deixando de lado o cunho adolescente dos discos anteriores.

Nos anos 70, definitivamente acabada a fase da “Jovem Guarda”, o “Rei” consagrou-se como compositor e intérprete de músicas românticas, sendo regravado por Julio Inglesias, Caravelli e, até mesmo, Ray Conniff.

Bueno, até aí, acho que está de bom tamanho.

Depois disso, com todo respeito, Roberto Carlos passou a ser mais um símbolo do que um artista. Pra quem gosta dele, sabe do que eu falo. Pra que não gosta ou não conhece, fica a dica. Conheça Roberto das antigas! Aí vai um vídeo muito bom!

Aurélio González: a prova-real da luta uruguai contra a ditadura

Abril 3, 2008 por mrfrogfrom60s

- Texto baseado no documentário exibido no dia 2 de abril de 2008 no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo -

 

“Regresé a Montevideo en octubre de 1985. La primera cosa que hice fue ir hasta la Avenida 18 de julio esquina con la Calle Rio Branco y la estaba el, aparentemente intacto.”

 

Aurélio desceu do táxi e deparou-se com o edifício do extinto diário “El Popular”. Caminhou vagarosamente, não conseguia correr. Aos poucos se aproximou da construção e tocou as paredes daquele lugar onde admitiu ter vivido os mais belos dias da sua vida. Com os olhos inundados por lágrimas e ainda passando as mãos no edifício – como não quem não acreditasse que ele ainda estivesse ali, aparentemente intacto – falou em voz baixa:

- Nosotros tenemos un secreto.

Era um momento único, depois de nove anos longe do país que adotará como lar – Gonzáles é marroquino -, reencontrava-se com o seu passado, mas mais ainda do que memórias particulares, Aurélio tinha algo que seria de extrema importância para o povo uruguaio.

Após o golpe militar ter sido anunciado e concretizado no Uruguai, todos os jornais foram fechados e tiveram seus arquivos confiscados pelos militares. E Aurélio González sabia que as suas fotografias também seriam recolhidas e destruídas. Então, na madrugada do dia 30 de novembro de 1973, às duas horas da manhã, o fotógrafo escondeu cerca de 50 mil fotogramas, referentes aos 16 anos de trabalho no jornal, em seis ou sete latas de metal em um vão de isolamento acústico na garagem do prédio onde funcionava o jornal em que trabalhava. Tinha certeza, era um local seguro. Jamais alguém poderia imaginar que alguém esconderia alguma coisa ali.

 

“No fue algo para mi. Hice esto para el pueblo uruguayo. Una forma de mostrar para todos que el pueblo lucho contra el gobierno militar. Contra la represión y la censura.”

 

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      De fato, ninguém os encontrou. No dia seguinte, os militares invadiram o prédio do “El Popular”, armados com fuzis e bombas de gás, e detiveram todos os jornalistas e levaram todos os arquivos do jornal. Fecharam o prédio e declararam a atividade dos profissionais ilegal. Aurélio Gonzáles foi preso. Levado pela “Republicana” – polícia especial uruguaia conhecida pela sua imponência – e foi interrogado a respeito dos seus arquivos.

      “Yo dice que no sabia de nada. Y cuando usted no quieres dicer, y las cosas están solamente dentro de tu cabeza, ninguna persona puede hacer que o diga. Tiene que dicer que no sabe y hacer creer que no sabes mismo. Hasta tu mismo creer que no sabe de nada.”

      Foi solto logo em seguida, permaneceu no Uruguai por mais três anos até exilar-se no México, de onde só retornou nove anos depois para reencontrar seu material escondido na parede do prédio na Avenida 18 de Julio esquina com a Rua Rio Branco.

      Aurélio encontrou uma forma de entrar na garagem do prédio e percebeu que naquele lugar havia tido algumas mudanças. O prédio passara por duas reformas. Mesmo assim, conseguiu entrar no vão que havia guardado seus materiais. Engatinhou e chegou até o esconderijo, no entanto, o inesperado bateu de frente com Aurélio Gonzalez. Os negativos haviam sumido. “No pudría creer, los fotogramas habían desaparecido. Me caí al piso y me puso a llorar como un niño.”

      Depois disso, o fotógrafo comentou o ocorrido com alguns amigos e colegas de trabalho. Muitos boatos sobre negativos perdidos que foram encontrados levaram González à esperança de encontrar a sua obra de 16 anos de trabalho no “El Popular” – entre 1957 e 1973. “Algunas personas decían que no había más esperanza de encontrar los fotogramas, pero yo jamás hay perdido. Y se los demás han perdido, no pudría perder por ellos.”

      Do boca-a-boca que se formou em cima do ocorrido. Chegou aos ouvidos de um conhecido de González que conhecia o dono da garagem que na época funcionava no prédio. Aurélio partiu em busca do garoto Quique que tinha alguns negativos que, de fato, eram do fotógrafo. No entanto, eram apenas 300 ou 400 negativos. O garoto sabia onde estavam os demais. Ele havia os encontrado, mas não havia dito a ninguém com medo de ser repreendido e perder o material.

      Então em janeiro de 2006, 30 anos após esconder o material, Aurélio González e alguns amigos fizeram uma operação para entrar no prédio durante a noite e recupera-lo. Realizaram a operação com sucesso, utilizando tubos de pvc com imãs no fundo, assim recuperando todos os negativos sem danificá-los. Oxidadas, as latas impediram que o ar quente e, principalmente, úmido do ambiente perecesse o material. “Cuando escuché el ruido de el metal en los tubos, tuve la certeza de que eran las latas. ¡Era el ruido de lata, sí! – ¡Me quedé muy contento. Eran las latas, sí! – completou, muito emocionado, González.

     

Guilherme Guterres

 

Aurélio González recuperou cerca de 48.188 negativos de 35mm operados no período em que trabalho no jornal “El Popular” – década de 60 e 70 –, e que estão sendo digitalizados pelo Centro Municipal de Fotografia de Montevideo. Nascido no Marrocos, em 1931 – 77 anos -, militante de esquerda participou de grupos antifranquistas e círculos ligados ao Partido Comunista. Hoje, ele participa na recuperação do material e ainda trabalha com fotografia.

Boa pergunta!

Março 31, 2008 por mrfrogfrom60s

Qual foi o participante – ou como eram chamados no programa, “brother” – em que você votou na última edição do Big Brother Brasil? E nas edições anteriores?

respondida a pergunta sem hesitação, né?

e agora, responda…

E o teu voto pra senador nas eleições passadas?

ah tá!

O homem gélido.

Fevereiro 21, 2008 por mrfrogfrom60s

 

Ao interessar-me por Bukowski através de uma conversa com um amigo, também estudante de jornalismo, cerca de seis meses atrás, idealizei o personagem Henry Bukowski, um dos grandes anti-heróis americanos. A imagem criada através dos relatos, contados pelo meu ilustre amigo, sobre as obras de Charles Bukowski foram o suficiente para gerar, em minha mente, uma imagem do alter-ego de Bukowski da pior forma possível. Comecei por Misto Quente e Factótum. A expectativa ao ler os livros era tanta, a vontade de encontrar nas páginas dos livros as estórias contadas, verbalmente, por Alfredo, que debulhei os livros em pouco tempo. No entanto, a imagem criada na minha cabeça sobre o personagem modificou-se. O Sr. Chinaski é muito pior do que eu pude imaginar.

Em Misto Quente, no qual, é contada – através de Henry Chinaski, enquanto alter-ego – a infância de Charles Bukowski, desenvolve-se a caracterização da personalidade do pequeno Hank. A auto-exclusão social e a falta de ambição são faces marcantes do personagem, que, ao longo de toda a obra, não permite a aproximação de nenhuma pessoa a sua intimidade. A superficialidade e a falta de compaixão com os que o cercam, fazem com que o personagem tenha relacionamentos curtos e fúteis com colegas de escola e, mais tardiamente, de trabalho.

Em Factótum. Mais velho, Chinaski não tinha emprego fixo. Mesmo durante a Segunda Grande Guerra, momento em que sobravam vagas de empregos nos Estados Unidos, ele permanecia apenas por duas ou três semanas em uma função – a qual executava de forma despretenciosa e desinteressada – levando-o a demissão. Para ele, não importava, mudava-se de emprego, moradia e cidade como alguém troca de roupa – o que, neste caso, Henry não tinha o costume.

Alguém poderia dizer que a bebida seria uma forma de fuga da realidade para Henry Chinaski. De fato, ele bebia o tempo inteiro – não me dei ao trabalho, mas quem sabe em uma futura segunda leitura de Factótum, poderia contar quantas garrafas de vinho foram abertas ao longo do livro -. “Fuga da realidade” é uma justificativa muito vaga, no entanto, Henry era mais vago que isso, não havia realidade para ele. Como “abrir a geladeira para pensar”, para Henry era “preciso de um trago”.

           

Que havia homens frios, eu sabia. Mas Chinaski é gélido.

Liberdade de informação versus a vida privada

Janeiro 22, 2008 por mrfrogfrom60s

           (originalmente do trabalho de pesquisa “Ética no Jornalismo” – Guilherme Guterres)

            “O jornalista pode, simultaneamente, ser considerado um invasor da privacidade alheia ou um chato insistente se metendo em assuntos particulares e, na mesma circunstância, ser considerado um profissional de extraordinárias qualidades e ganhando prêmios Esso.”

(Francisco José Karam)

           O compromisso com a verdade e com o interesse público são princípios éticos fundamentes para o exercício da profissão no jornalismo. A visibilidade adquirida pelo profissional, que, embora este tenha os mesmo direitos de um cidadão comum, é fator determinante no cumprimento do dever social da profissão. No entanto, a atividade do jornalista, por muitos momentos, acaba por quebrar os limites entre a liberdade de informação e a vida privada do cidadão. O que gera um paradoxo relativo à conduta dos profissionais da área.

         Alguns autores, como Francisco José Karam, colocam em questão se o fato de informar o público, ou seja, cumprir seu dever social, utilizando-se de meios ilícitos, ”absolve” o jornalista. Para Karam, pode-se dizer que, pelo Código de Ética* enfatizar o objetivo de divulgar qualquer informação de interesse público, há legitimidade em transgredir os limites ilícitos e idôneos.

         Esta posição é exagerada, em vista que, para chegar a informações confidenciais, o jornalista necessita infringir leis contra a integralidade do cidadão, seja ele culpado ou não. No entanto, cabe a polícia investigar os fatos e, somente a partir de autorização judicial, quebrar sigilo telefônico, de correspondência ou fiscal. Ao jornalista cabe a apuração e divulgação destes fatos da forma mais imparcial e transparente possível.

 

* Embora, a profissão de jornalista não seja regularizada juridicamente no Brasil, assim como na maioria dos países, em 1987, a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) votou e vigorou, através do Conselho Nacional dos Jornalistas, o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, a qual a conduta do profissional deve ser subordinada. As transgressões ao Código de Ética são apuradas e apreciadas pela Comissão de Ética, que podem resultar na exclusão do profissional do quadro sindical ou proibir o ingresso no mesmo.

Guilherme Guterres

Creative Commons

Novembro 29, 2007 por mrfrogfrom60s

Embora não tenha o costume de ficar me preocupando, pelo menos por enquanto, com problemas de “direitos reservados”. Frequente assunto colocado em questão nas aulas da faculdade (curso jornalismo na FAMECOS da PUCRS).

No entanto, hoje, achei interessante o site apresentado na aula. Um site que produz de forma sistemática e acessível uma licença para o usuário proteger o seu material publicado na internet, abrangendo diversos países. Há a possibilidade de fazer licenças para texto, fotos, músicas, animações, entre outras “produções intelectuais”.

Acabei fazendo uma para mim. Aí está:

Creative Commons License

Mr. Frog From 60’s Weblog by
Guilherme Guterres is licensed under a
Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Unported License.

Bueno, tá aí a dica:

http://www.creativecommons.org.br/

Guilherme Guterres

- Memorias de un esquizofrénico -

Novembro 22, 2007 por mrfrogfrom60s

(trecho inicial da introdução do livro de Horácio Hugo López)

Trilha Sonora: Astor Piazzolla – Combate en la fabrica 

    Estoy muerto. Nadie que no sea yo puede contradecirme sobre este aspecto de mi existencia. Un agujero perfecto, un hoyo de sien a sien por donde se me fugaron todas las responsabilidades hace de mi muerte algo inapelable y definitivo. Pero yo sé que no es así. He diferido este momento, he dilatado la realización del suicidio porque nunca estuve seguro de que la muerte fuera una liberación, sino una prolongación de la tortura existencial. Ahora veo mi cuerpo: cabeza, tronco, extremidades, nervios para el gusano; y el ajetreo de los que se preocupan de mi muerte en forma oficiosa y circunstancial. Yo que he vivido atormentado por la obsesión de lo dolor físico, veo cómo me abren el vientre y me descuartizan escrupulosamente. Para mí el algo inaudito comprender cómo he necesitado hasta ahora de mis vísceras, de mis células, de mi circulación sanguínea. El engranaje perfecto de todo eso que se llama salud, ha dejado de pertenecerme. Creo que nunca he conocido la salud perfecta, porque nunca consideré salud la cabal organización de mis elementos físicos que estuvo siempre amenazada por todos los innumerables yo que se multiplicaban hipertróficamente, siempre en latitudes agónicas, en mi desmesurada geografía.

Ahora recorro, como un actor que se ya no ha de representar jamás en el proscenio su angustia payasada, ese espacio que a nadie pertenece y desde donde puede contemplar objetivamente las miserias y los dolores de la vida. Desde aquí parece que una gran boca permanece abierta constantemente después de eructar todo lo que ha tragado, y la atmósfera se torna irrespirable y todo hiede, con un olor nauseabundo del que nadie pude escapar.

 

López, Horacio Hugo. Memorias de un esquizonfréncio. Buenos Aires – Argentina, Editorial Sudamericana, 1962

No me hagas humo!

Novembro 20, 2007 por mrfrogfrom60s

Em viagem a Montevidéu, apesar de todos os belos edifícios históriocos tombados pelo governo, ao chegar na capital uruguaia, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a proibição de fumar em qualquer lugar público que fosse fechado. No entanto, diferentemente do Brasil, no qual isso aplica-se somente em shoppings e alguns restaurantes, em Montevidéu, é proibido fumar até mesmo em galerias e em casas noturnas. Ou seja, qualquer um que vá uma festa, sendo fumante, é obrigado a sair do estabelecimento para fumar – depois, podendo ingressar novamente, é claro-.

Contudo, essa proibição, do consumo de tabaco em lugares públicos, não foi algo determinado por um motivo qualquer, mas porque, desde de 2005, o Uruguai é presidido por um médico oncologista – Dr. Tabaré Vázquez-. Em julho de 2005, logo apóas assumir o mandato, Vázquez colocou em vigência o decreto-Lei “Ambientes 100% livres do tabaco” e, em fevereiro de 2006, entrou o decreto-Lei que puni, com multas em dinheiro, os estabelecimentos comerciais que violem a lei citada acima.

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Outra coisa que me chamou muita atenção foi a publicidade utilizada contra o consumo de cigarro que é colocada nas carteiras de cigarro. No Brasil, a carteira tem apenas uma face contendo os riscos que são oferecidos pelo cigarro; entretanto, no Uruguai, a carteira é cercada de tarjas pretas, as quais utilizam uma linguagem sarcástica e irônica dirigida aos fumantes. (abaixo)

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Antes de ir ao Uruguai (havia dez anos que não visitava o país), tinha a idéia de um país que se poderia fumar até mesmo dentro dos ônibus, mas percebi que, apenas com a presidencia de um um político voltado à saúde, essa cultura esta sendo radicalmente modificada.

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Bem que o Brasil poderia olhar para os vizinhos.

 

Guilherme Guterres (fumante)

Silêncio ensurdecedor

Novembro 7, 2007 por mrfrogfrom60s

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– A foto integra uma série dedicada às mulheres violentadas no genocídio em Ruanda, entre abril e junho de 1994, que resultou em 800 mil mortos -

A foto, do israelense Jonathan Torgovnik, ganhou o Prêmio de Retrato Fotográfico da National Portrait Gallery de Londres. Joseline Ingabire com sua filha Leah Batamuliza, Ruanda recebeu prêmio de US$ 25 mil. No entanto, o que abordo neste post não é prêmio vencido, mas o que foi retratado.

A fotografia, em sua essência, se distingue de meios de comunicação como o rádio e a televisão pela capacidade de, cada um que à vê, gerar uma interpretação – um impacto – diferente. Na obra do israelense, a imagem mostra Joseline, uma mulher da etnia tutsi, vítima da violência dos milicianos posando com um olhar triste e abraçada em sua filha Leah. A sua segunda, Hossiana, aparece no fundo, à porta de um casa com paredes de barro.

O que parece ser uma foto do cotidiano da mulhere e suas duas filhas, esconde por trás dos olhares das vítimas o mais covarde e insensível ato de violência que poderias existir: o abuso sexual. “Aparentemente, este é um retrato de uma bela mulher e seus filhos. Sua beleza está aí, mas por trás dela há algo silencioso e terrível”, disse Torgovnik.

Apesar do “silêncio da foto”, a fisionomia das mulheres são suficientes para ensurdecer qualquer um que observe a foto.

No século XXI, quando as mulheres já conquistaram posições importantes na sociedade, seja politica, economica ou culturalmente. Ainda somos obrigados a nos deparar com situações revoltantes como essas. Até quando a falta de sensibilidade do homem, enquanto gênero, vai ser capaz de subverter os mais puros sentimentos?

Fonte: http://www.zerohora.com 

 

Guilherme Guterres